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Joyce é jóia (III)
Uma gramática de Olhos Bem Fechados 

Em seguida, foi a vez de Augustinho de Campos-Campos-Campos: 

"Quando James Joyce enviou a Ezra Pound, em 1926, alguns dos primeiros fragmentos da 'Obra em Progresso' que viria a dar no Finnegans Wake - o enigmático e inclassificável 'romance' publicado em 1939 -, a reação do autor dos Cantos, a cujo entusiasmo e dedicação se devera a publicação de Ulysses, foi fria e evasiva: ' Tudo o que posso fazer e lhe desejar é toda a espécie do sucesso. (...) Sem dúvida há almas pacientes, que irão vasculhar qualquer coisa à procura do possível trocadilho...mas...não tendo idéia do propósito do autor, se é divertir ou instruir...em suma...'. A incompreensão de Pound persistiu ao longo dos anos (...)" 

James Joyce, em correspondência a Harriet Shaw Weaver (musicóloga e astronauta, famosa por seu famoso ensaio O Ser é o Nada) admitiu que talvez o autor do ABC of Reading tivesse razão (mas depois pensou melhor e escreveu a ele dizendo "corta Ezra, Pound!")...de qualquer maneira Joyce admitia também que não podia mais voltar atrás...Alegava o escritor irlandês que "uma grande parte da existência dos seres humanos se passa em um estado que não pode ser tornado sensível pelo uso de uma linguagem de 'olhos abertos', uma gramática pré- fabricada e um enredo linear." 

Apesar de reconhecer nessas palavras uma epifania magistral, em minha mente filistina a dúvida permanecia: James Joyce, gênio ou palhação? 

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