| Sobe e desce
Foi fechar a porta do escritório
e ouvir o plim do elevador. Dei uma olhada rápida e a setinha verde
estava lá, acesinha da silva. Eu nem precisei pensar: meus neurônios
registraram, imediatamente, que em breve o mesmo estaria parado neste andar.
Dei uma corridinha para aproveitar aquele espaço de tempo que sempre
existe entre o plim e a chegada do bicho. E confesso que nem verifiquei
se o mesmo estava ou não estava lá: eu entrei e ele subiu.
Só que eu queria descer. Óbvio, cretina: setinha verde indica
que sobe, e não que você tem que entrar.
E aí fiquei pensando
em quantas vezes já fiz isso assim, no automático, e nem
registrei. Em todo o tempo que já perdi na vida entrando no elevador
errado, sem me dar conta de que essa tal de setinha não é
igual semáforo. E, então, fiquei me perguntando por que tanta
gente insiste em usar as cores principais do semáforo nas setas
de elevador, se todo mundo já está condicionado a elas para
andar e parar. E fiquei apostando comigo mesma quantas vezes por semana
o feliz dono desta idéia pára diante de uma setinha vermelha
e anda diante de uma verde. Mesmo que ele queira descer. Bem feito.
Não entendo como é
que nenhum vereador percebeu isso antes. Porque se aquela plaquinha mal
escrita está lá para preservar a nossa integridade física,
o vermelho e o verde estão lá para comprometer a nossa integridade
psicológica. Ou até mesmo moral, no caso de haver testemunhas.
(Chi! Por que é que
eu fui falar nisso? Amanhã mesmo é capaz de aparecer alguém
com a idéia de uma outra plaquinha, que seria colocada ao lado daquela:
"Senhores Passageiros, antes de entrar no elevador, verifiquem se a cor
da setinha do mesmo encontra-se indicando corretamente o sentido para o
qual os senhores vão estar indo." Ai, ai.)
Mas, antes que isso aconteça,
vou tentar "matar no ninho" esta segunda plaquinha. Que tal se a gente
mudasse as cores das setas? Heim? Heim? Aliás, também não
entendo como é que ninguém sugeriu isso antes, porque até
onde a minha vista simbólica alcança, setinha vermelha apontando
pra baixo nunca representou boa coisa, não.
Então, que tal usar
azul e rosa, por exemplo? Pensando bem, melhor não: as mulheres
acabariam entrando só nos elevadores de seta rosa e os homens só
nos de seta azul. Todo mundo continuaria perdendo tempo, os casais passariam
horas desparelhados e, pior, seria o fim daqueles relatos picantes de sacanagem
no elevador. Impensável.
Vou dar outra idéia:
e se a gente usasse azul pra subir e marrom pra descer? Pelo menos seria
bem lógico: a cor do céu pra cima, a cor da terra pra baixo.
Melhor ainda: ao invés de marrom, poderíamos usar o cinza-asfalto.
Ou então o cinza-calçada. Que tal? A escolha ficaria a critério
do condomínio. E nas cidades praianas, poderíamos usar o
azul-céu para subir e o azul-mar para descer.
Mais fácil que isso,
só deixando todas brancas. Não ficaria tão animado,
é certo. Mas, no mínimo, obrigaria o povo a olhar para a
posição das setinhas. E, convenhamos, em tempos de falta
de energia, esta seria a decisão economicamente correta.
Sobre elevadores e suas
plaquinhas, leia também
Verifique
o mesmo, da Roseli, e Aviso irrevelevante,
da Luciana.
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